Estes anos foram anos de uma voraz aprendizagem, anos marcados pela constatação de que só se pode depender, principalmente, de nós próprios. Esperar que o Estado cumpra com as suas obrigações mais racionais é uma miragem, a sociedade e as pessoas estão cada vez mais egoístas e moldadas pelos seus interesses imediatos, são os critério dominantes nas relações sociais nos dias que correm nos espaços onde me movimento, na década passada os valores humanos não estavam tão dissolvidos... A tendência deverá seguir o curso do agravamento doentio... É como se o universo mental estivesse a ficar senil, contaminado por uma estranha doença, reflexo do envelhecimento social, das mutações nas referências, da crise nos valores, da emergência de um "admirável mundo tecnológico", o processo está a ser vertiginoso, estiola as consciências... Para mim, que cultivei a empatia ao longo da vida, a atenção às pessoas, às diferenças, a heterodoxia, os sentimentos e as ideias mais elementares de justiça social, nada disto é normal, tentam nos impor esta "nova normalidade" através das plataformas de comunicação, mas eu resisto com o pensamento e a humanidade dos meus sentimentos até à impiedade perante o abismo do egoísmo patológico, não é um mundo que se queira abraçar este que está a emergir diante dos nossos olhos...
Carlos Vinagre
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