As ambulâncias espalham-se como um ruído pelos meus ossos. Tremo só de pensar na existência: um frio decapita-me o coração.
As luzes do céu, no rebordo do pensamento, escondem-me a humanidade. Cada vez mais desnorteado, me perco todo em cristais:
sou-me todo cinza, numa ânsia de me transcender, a condição, o corpo - percorro as ruas como um hospício.
Depuradas de mim as vozes se desvanecem, a lucidez desmaia, a cidade emigra, e a residência morre na tristeza que angustia o rio.
A solidão transmite o nome até ao canal do tempo.
Carlos Vinagre
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