quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

cianeto


no cimo da árvore
entre os ramos que rumorejam o longínquo
a sua voz de cianeto:

o corpo delgado na cidade
o carro ao abandono os edifícios
os pálidos medos que se mastigam
na isenta sala de silêncio
o imaginário crepuscular nos espelhos
a criança desfeita nos cisnes
a solidão das ruas
e o pânico dos cabelos
que vibram pela água

olha com surpresa
e me desfaz agonia

no feixe que amacia o chão:
o final está ausente

Carlos Vinagre

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